Reino da Virgem Mãe de Deus

LiturgiaEucaristia e Liturgia


É Deus!

Autor: Francisco Dockhorn
Publicação: Junho de 2010

Mais do que dizer que Nosso Senhor Jesus Cristo está Presente na Hóstia Consagrada, podemos dizer, com toda a propriedade, que a Hóstia Consagrada É Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pois como nos ensina o Sagrado Magistério da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente e substancialmente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1374-1377.

Este artigo foi escrito com base em algumas postagens que publicamos no blog “Salvem a Liturgia”, entre Abril e Junho de 2010; especificamente os quatro primeiros textos da série “Mitos Litúrgicos Comentados” e o artigo “Adoração Eucarística e Evolução Litúrgica”.

1. Presença na Eucaristia e Presença na Palavra

Um dos Mitos Litúrgicos ensinados hoje em dia, em alguns cursos e escritos de Liturgia, é que "a Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia". E não é verdade.
 
Na Hóstia Consagrada Nosso Senhor estar presente de maneira substancial, o por isso o Papa Paulo VI afirma (Encíclica Mysterium Fidei, n. 40-41, de 1965) a supremacia da Presença Eucarística de Nosso Senhor sobre as demais formas de presença:

"Estas várias maneiras de presença enchem o espírito de assombro e levam-nos a contemplar o Mistério da Igreja. Outra é, contudo, e verdadeiramente sublime, a presença de Cristo na sua Igreja pelo Sacramento da Eucaristia. Por causa dela, é este Sacramento, comparado com os outros, "mais suave para a devoção, mais belo para a inteligência, mais santo pelo que encerra"; contém, de fato, o próprio Cristo e é "como que a perfeição da vida espiritual e o fim de todos os Sacramentos". Esta presença chama-se "real", não por exclusão como se as outras não fossem "reais", mas por antonomásia porque é substancial, quer dizer, por ela está presente, de fato, Cristo completo, Deus e homem."

Também o próprio Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium (n.7), afirma esta supremacia da Presença Eucarística:

"Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» - quer e SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas."

Afirmar que a presença de Nosso Senhor na Palavra é tão completa como na Hóstia consagrada significa uma dessas duas coisas: afirmar que Nosso Senhor se transubstancia na Palavra (aí fazemos o que, comemos a Bíblia e o Lecionário?), ou negar a Presença Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, o que atenta conta o Mistério central da fé católica, pois a Eucaristia é "fonte e ápice da vida cristã" (Lumen Gentium, n.11)

Para propagar o mito de que "a presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia", alguns utilizam uma interpretação distorcida a respeito uma frase da Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, que afirma:

"A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor." (Dei Verbum, 21)

Como entender tal frase? O Santo Bento XVI tem dito que o Concílio Vaticano II NÃO pode ser interpretado como uma ruptura com os pronunciamentos anteriores do Sagrado Magistério (pois ele é infalível em definições de fé e moral, como afirma o Cat. n. 2035, e portanto, a doutrina católica NÃO muda); e sim, o Concílio precisa ser interpretado como uma continuidade em relação ao Magistério anterior.

Portanto, é um equívoco afirmar que essa frase do Concilio nega a superioridade da Hóstia Consagrada em relação a Palavra, e que portanto falar da Presença Substancial de Nosso Senhor na Eucaristia seria algo "ultrapassado", "antiquado" e "medieval".

Mas como entender tal frase, afinal?

Vamos ao texto original em latim:

"Divinas Scripturas ***sicut et*** ipsum Corpus dominicum semper venerata est Ecclesia."

O termo "sicut et", traduzido por "como" ("como venera o próprio Corpo do Senhor"), é no sentido de "como também", ou seja, um termo inclusivo, mas que NÃO diz respeito necessariamente a intensidade.

Aliás, é o mesmo termo utilizado pela oração do Pai-Nosso, quando rezamos: "Et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris" ("Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.") E isso NÃO significa, evidentemente, que nós perdoamos com a mesma intensidade que Deus nos perdoa (pelo simples fato de que nós NÃO somos Deus!), mas simplesmente que nós também nos propomos a perdoar, ou seja, "como também" Ele nos perdoa.

Além disso, o próprio Concilio Vaticano II também reconhece a superioridade da Presença de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, quando afirma que Ele está presente "SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas." (Lumen Gentium, n. 11) E também as citações que utilizamos acima, do Papa Paulo VI e do Catecismo da Igreja Católica, vão na mesma linha.

Alguns liturgistas, adeptos da teologia litúrgica modernista e incompatível com a doutrina católica, conhecem bem o poder das palavras e dos símbolos, e os utilizam para propagar suas idéias, inclusive o mito de que "A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia", o que leva, naturalmente, a negação da Presença Real e Substancial de Nosso Senhor no Hóstia Consagrada.

Por exemplo, alguns liturgistas modernistas podem usar-se dos seguintes artifícios:

1. Instrumentalizar o termo "altar da Palavra" para referir-se ao ambão, com o objetivo de "nivelar" a Palavra e a Eucaristia (embora, evidentemente, nem todos os que utilizem este termo necessariamente sejam modernistas).

Ora, altar é onde é oferecido o Sacríficio, e o Santo Sacrifício de Nosso Senhor é oferecido no altar onde é celebrada a Santa Missa...

2. Propagar o costume da construção de altares pequenos, quadrados; para que o altar (nem em tamanho) não tenha mais destaque que o ambão. Aliás, os altares católicos tradicionais são retangulares, não quadrados...

É preciso esclarecer, porém, que NÃO consideramos os altares menores (quadrados) maus em si mesmo, pois há também a questão do tamanho do local e da estética.

3. Utilizar, na construção das igrejas, uma disposição em que o ambão fica em frente do altar, também para "nivelar" ambos (ao invés de o ambão ser colocada ao lado do altar).

É preciso esclarecer, porém, que NÃO nos opomos, em si mesmo, a disposição litúrgica em que o ambão fica em frente do altar, já que ela foi bastante tradicional na Igreja no primeiro milênio (e ela guarda um bonito significado de a leitura ser feita voltada para a parede absidal, direção onde também fica a cadeira do celebrante, que é quem primeiro precisa escutar a Palavra de Deus); é preciso frizar, também, que na Igreja Primitiva, durante a oração Eucarística, todos (sacerdotes e fiéis) se voltavam para a mesma direção (o Oriente), como fala o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, no seu livro "Introdução ao Espírito da Liturgia".

O que nos opomos é a instrumentalização desta disposição (ambão de frente para o altar) para propagar a teologia litúrgica modernista, "nivelando" altar e ambão; aliás, esta disposição dificulta a celebração da Missa em Versus Deum ("voltados para Deus", com os sacerdote e fieis voltados para a mesma direção, como recomenda o Papa no seu livro "Introdução ao Espírito da Liturgia"). Na realidade, é possível celebrar em Versus Deum com o altar próximo do centro e o ambão em frente a ele, se o sacerdote celebra voltado para a parede absidal em direção ao crucifixo (e ao Sacrário, se houver); porém, esta disposição dificulta que todos os fiéis se voltem para a mesma direção, pois nela, os bancos geralmente ficam dos lados, e os fiéis de frente uns para os outros (e hoje, infelizmente, NÃO há a cultura de todos se voltarem para a mesma direção, como havia na Igreja Primitiva).

4. Abominar que hajam castiçais sobre o altar, e colocá-los distantes demais do altar (como se os castiçais estivessem iluminando meramente "o ambiente", e não carregando de esplendor o altar, especificamente), e por vezes deixar um único castiçal próximo ao...ambão! Isso, evidentemente, descaracteriza o altar.

Em tempo: os castiçais não precisam estar necessariamente sobre o altar, mas podem estar próximo a ele, como afirma a Instrução Geral do Missal Romano (n. 117). Há uma vantagem em que os castiçais não estejam sobre o altar, que é o fato de deixar o altar somente para o oferecimento do Santo Sacrifício, já que altar não é mesa; aliás, tradicionalmente na Missa Tridentina (a forma tradicinal do Rito Romano), os castiçais normalmente NÃO ficam sobre o altar propriamente dito, mas juntamente com os arranjos de flores sobre o retábulo, que fica entre o altar e a parede.

Porém, é preciso levar em contas também a questão estética e do esplendor do próprio altar (e isso depende do tamanho do presbitério, do altar e outas questões estéticas), e não nos parece que seja o caso rechaçar totalmente que os castiçais estejam sobre o altar, aliás, nas próprias Missas celebradas pelo Santo Padre Bento XVI em Roma, os castiçais ficam sobre o altar.

5. Rechaçar o costume tradicional de decorar o altar com belos arranjos de flores, que são um dos elementos que o enchem de esplendor.

Papa Bento XVI celebrando em Roma, com crucifixo e grandes castiçais colocados sobre o altar.

Altar tradicional decorado com belíssimos castiçais e arranjos de flores, colocados sobre o retábulo.

2. Adorar Jesus Eucarístico

Alguns ensinam, ainda, o Mito de que "A Eucaristia é para ser comida e não para ser adorada".

Ora, é para ser adorada, sim!

A Hóstia consagrada é a Presença Real e substancial de Nosso Senhor, e por isso a Santa Igreja dedica a ela toda a adoração. O Santo Padre Bento XVI responde(Exortação Sacramentum Caritatis, n.66, de 2006):

"...aconteceu às vezes não seperceber com suficiente clareza a relação intrínseca entre a Santa Missa e a adoração do Santíssimo Sacramento; uma objeção então em voga, por exemplo, partia da idéia que o pão eucarístico nos fora dado não para ser contemplado, mas comido. Ora, tal contraposição, vista à luz da experiência de oração da Igreja, aparece realmente destituída de qualquer fundamento; já Santo Agostinhodissera: « Nemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoraverit; (...)peccemus non adorando – ninguém come esta carne, sem antes a adorar; (...)pecaríamos se não a adorássemos ». De facto, na Eucaristia, o Filho de Deus vemao nosso encontro e deseja unir-Se conosco; a adoração eucarística é apenas oprolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maiorato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitudede adoração d'Aquele que comungamos."

Dizer que a Eucaristia não é para ser adorada implica em negar a que a Hóstia Consagrada é o Corpo de Nosso Senhor, ou pensar que Deus não é digno de adoração...

O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, ainda antes de ser, escreveu no seu maravilhoso livro "Introdução ao Espírito da Liturgia":

"Já Paulo expõe peremptoriamente a transformação do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Cristo como um fato de ser O Ressuscitado, Ele próprio, que está aqui, oferecendo-se-nos para comer. A ênfase, com que em Jo 6 é realçada a Presena Real, quase não tem igual. Também os primeiros Padres da Igreja - referimo-ns a Justino, o Mártir, ou a Inácio de Antioquia - não tem a mínima dúvida acerca do Mistério desta Presença, que nos é oferecida na transformação dos dons na Oração Eucarística. Até um teólogo tão virado para o espiritual como Agostinho, nunca manifestou nenhuma dúvida."

E mais adiante:

"Ninguém diga agora, a Eucaristia seja para tomar e não para olhar. Como realçam as tradições mais antigas, ela não é . Tomá-la é - como já dissemos - é um acontecimento esiritual, inteiramente humano. significa: adorá-lo. significa: deixá-lo entrar em mim, a fim de minha pessoa ser transformada, a fim de que Nele nos tornemos , abrindo-se para o grande (Gl 3, 17). Deste ponto de vista, a adoração não se encontra em posição oposta à comunhão nem ao lado dela; a comunhão só alcançará a sua profundidade quando sustentada e envolvida pela adoração."

Vemos, portanto, que no coração da fé católica, há três mistérios sublimes:

- a Presença Real de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada (Cat. n. 1374-1377)
- a Renovação incruenta do Sacrício de Nosso Senhor na Santa Missa (Cat. n. 1362-1372; 1411)
- o Sacerdócio (Cat. 1536-1600)

São mistérios que expressam de forma encantadora o amor entre a Santíssima Trindade e Amor de Deus por nós. Nosso Senhor foi até o fim em seu aniquilamento, como nos ensina São Paulo (Fil 2,7); e Nosso Senhor fez isso por obediência ao Pai Eterno e por amor à nós.

Tal aniquilamento chega ao seu extremo na Calvário e na Hóstia Consagrada, onde Ele se oferece por nós e à nós, mesmo sabendo que:

- seria tratado por muitos com indiferença e incredulidade na Hóstia Consagrada
- se cometeriam sacrilégios que aconteceriam, pelas que comungariam sem estarem preparados
(Cat. 1385).
- que muitos fragmentos das Hóstias Consagradas que seriam perdidos por falta de zelo
- que Hóstias Consagradas seriam roubadas das igrejas para serem profanadas em cultos satânicos
- que haveriam sacerdotes que não viveriam uma vida condinzente com o seu ministério e não celebrariam o Santo Sacrifício da Missa da forma como manda a Santa Igreja.

Nesse contexto, compreendemos bem o que Nosso Senhor falou a Santa Maria Margarida Alacoque, quando revelou a devoção ao Seu Sagrado Coração:

"Eis o Coração que tanto tem amado os homens, que a nada tem se poupado até se esgotar e consumir para testemunhar-lhes o seu amor; e em reconhecimento não recebo da maior parte deles senão ingratidões por meio das irreverências e sacrilégios, tibiezas e desprezo que usam para comigo neste Sacramento de amor. E o que mais me custa é serem corações a mim consagrados os que assim me tratam."

Eis o aniquilamento de Deus!

Eis o desconcertante Amor de Deus para com os homens!

Ignorar isso é ignorar a própria essência desconcertante da Liturgia Católica...

Por ser a Eucaristia ser a expressão máxima do Amor de Deus, o Demônio investe todosos esforços para que o Corpo Eucarístico de Nosso Senhor não seja adorado. O reconhecido teólogo dol século XIX, P. Emmanuel (Prior do Mosteiro de Mesnil-Saint-Loup) afirma que o Anticristo, ou seja, aquele que se opõe a Cristo (IJo 2, 22), pretende aboliar o "Sacrifício Perpétuo" que fala o profeta Daniel (Dn 12,11), isto é, abolir o Santo Sacrifício da Missa.

Embora reconheçamos um poder espiritual maligno que atua, em toda a história da humanidade, por detrás das limitações humanas, nunca é demais lembrar que nestes estudos NÃO temos nenhuma pretensão de julgar as intensões de quem eventualmente defende mitos ou distorções litúrgicos, pois este julgamento não nos cabe. A avaliação que fazemos aqui é somente a nivel de conteúdo. E desta forma, queremos por amor ao Deus-Amor Sacramento e a Santa Igreja, prestar este serviço, para o bem das almas e a Glória de Deus.

Retomados este pressupostos, prosseguimos a reflexão:

Dizem alguns teólogos modernistas que a Liturgia, durante séculos, teve "erroneamente", como centro, a Presença Eucarística de Nosso Senhor (!). Tais modernistas compreender bem o valor dos símbolos para o ser humano, e para que suas novas concepções litúrgicas sejam aos poucos assimiladas, fazem questão de desprezar os sinais externos da Liturgia que apontam para sua verdadeira essência e para a adoração de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada:

- o dobrar os joelhos para adorar
- as paramentações completas do sacerdote que celebra
- o altar esplendoroso, ornamentado com castiçais e arranjos de flores
- o uso frequente do incenso
- o valor do latim como língua sagrada
- a Santa Missa celebrada em "Versus Deum" ("Voltado para Deus", com sacerdote e povo voltados para a mesma direção, como o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, recomenda que se faça no seu livro "Introdução ao Espírito da Liturgia")

...e assim por diante.

Ignorar o valor desses sinais sagrados é ignorar a própria alma humana, a influência do meio externo e a importância dos elementos simbólicos. A Liturgia católica é extremamente humana: compatível com todas as necessidades do ser humano.

3. Adoração Eucarística fora da Missa

O saudoso Papa João Paulo II escreveu (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 25,de 2003):

"Se atualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela «arte da oração », como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela força, consolação, apoio! Desta prática, muitas vezes louvada e recomendada pelo Magistério, deram-nos o exemplo numerosos Santos. De modo particular, distinguiu-se nisto S. Afonso Maria de Ligório, que escrevia: A devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós. A Eucaristia é um tesouro inestimável: não só a sua celebração,mas também o permanecer diante dela fora da Missa permite-nos beber na própria fonte da graça."

E o Santo Padre Bento XVI acrescenta (Sacramentum Caritatis, n. 66-67):

"De fato, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se conosco; a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior ato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d'Aquele que comungamos.Precisamente assim, e apenas assim, é que nos tornamos um só com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O ato de adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na própria celebração litúrgica. (...) Juntamente com a assembléia sinodal, recomendo,pois, vivamente aos pastores da Igreja e ao povo de Deus a prática da adoração eucarística tanto pessoal como comunitária. Para isso, será de grande proveito uma catequese específica na qual se explique aos fiéis a importância deste ato de todo culto que permite viver, mais profundamente e com maior fruto, a própria celebração litúrgica. Depois, na medida do possível e sobretudo nos centros mais populosos, será conveniente individuar igrejas ou capelas que se possam reservar propositadamente para a adoração perpétua. Além disso, recomendo que na formação catequética, particularmente nos itinerários de preparação para a Primeira Comunhão, se iniciem as crianças no sentido e na beleza de demorar-se na companhia de Jesus, cultivando o enlevo pela sua presença na Eucaristia."

Ensina-nos também o saudoso Papa João Paulo II, na sua Exortação Apostólica Vita Consecrata (n.95):

"A adoração assídua e prolongada de Cristo presente na Eucaristia permite, de algum modo, reviver a experiência de Pedro na Transfiguração: « É bom estarmos aqui! ». E na celebração do mistério do Corpo e do Sangue do Senhor se consolida e incrementa a unidade e a caridade daqueles que consagraram a Deus a sua existência."

Dom Bosco, Santo Eucarístico da Igreja, afirma:

"Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes no Sacrário. Quereis que Ele vos dê poucas graças? Visitai-o raramente. Quereis que o demônio fuja de vós? Visitai a Jesus muitas vezes. Quereis ser vencido pelo demônio? Deixai de visitar Jesus Sacramentado."

Não tenho dúvidas que uma das experiências mais profundas da vida cristã é estar com os joelhos dobrados diante do Corpo de Deus exposto majestosamente no Ostensório. E com olhos repletos de encanto, reconhecer: É DEUS!"

Da forma mais verdadeira, concreta, objetiva, substancial e absoluta possível... É DEUS!

É o Deus-Amor Sacramentado que se aniquila e se entrega totalmente por mim!

Pode haver palavras para descrever isso?...Sobra apenas o silêncio desconcertante!...

O altar esplendorosamente decorado, com uma tolha nobre, com castiçais e flores... todos esses elementos nos apontando que ali não é "algo qualquer", MAS É DEUS.

Todos esses elementos, nos ajudando a nos concrentrar na adoração.

Todos esses elementos cuidadosamente preparados por almas adoradoras, que como alguém apaixonado, desejam de todas as formas manifestar este amor!

Uma atenção especial merece ser dada a prática da chamada adoração silenciosa, que é uma forma de adoração essencialmente contemplativa, onde apenas olhamos para o Corpo de Deus e O adoramos. Nela, que é uma forma de adoração (não é a única!), não se faz leitura, não se reza o terço, nem nenhuma outra forma de oração, mas simplesmente contemplamos o Mistério: É DEUS. E O adoramos. E assim nos demoramos diante Dele. Quando o pensamento dispersar, podemos rezar apenas: "Jesus Eucarístico, eu Te adoro!", e voltar a comtemplação silenciosa. A nossa cultura precisa redescobrir o valor do silêncio, e nada melhor do que redescobrir o silêncio na adoração eucarística.

A irmã Briege McKenna, da Irlanda, mulher eucarística do nosso tempo, comparou a Presença de Jesus Eucarístico a um sol: basta estarmos diante Dele para sermos transformados!

Grande graça para a Santa Igreja, e grande potência de intercessão para o mundo, são os institutos e comunidades, antigas e novas, que se dedicam deforma tão intensa e zelosamente à Adoração Eucarística, e alguns inclusive à adoração perpétua. Mas aqui, me refiro principalmente aos carismas novos, como a Toca de Assis, que vejo como um grande sinal profético para o nosso tempo.

É evidente que, por detrás de muitos que combatem a prática da adoração eucarística fora da Missa, está a negação da Presença Real e Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, que é a fé eucarística da Santa Igreja (ver Catecismo da Igreja Católica, n. 1374-1377), como falamos anteriormente.

Mas graças a Deus, tenho visto que o costume de adorar Jesus Eucarístico fora da Missa tem crescido nos meios em que tenho contato. Tal é o processo de restauração litúrgica que vivemos, à sombra dos gigantes chamados João Paulo II e Bento XVI!

4. Adoração Eucarística e Evolução Litúrgica

Respondemos aqui uma objeção que, sem que haja uma negação expressa da doutrina católica sobre Presença Real e Substância de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada (ver Catecismo da Igreja Católica, n. 1374-1377), é colocada por muitos que se opõe a pratica da Adoração Eucarística fora da Santa Missa:

"No primeiro milênio da Igreja não era comum a prática da Adoração Eucarística fora da Missa, e neste tempo não havia Tabernáculo para conservar o Santíssimo Sacramento."

O que pensar em relação a isso?

Passamos a palavra ao Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, que escreveu no seu incrível livro "Introdução ao Espírito da Liturgia":

"As igrejas do primeiro milênio não conhecem Tabernáculo. (...) O Tabernáculo como tenda sagrada, como sítio da Schekhina, da Presença do Senhor Vivo, só se desenvolveu no segundo milênio, como fruto de esclarecimentos teológicos dolorosamente alcançados, em que se destaca nitidamente a Presença do permanente de Cristo na Hóstia transubstanciada."

E ainda, expondo e contrapondo-se as idéias "arqueologistas" (que consideram que precisaríamos retornar para as mesmas formas litúrgicas do primeiro milênio), afirma o Papa:

"Aqui atravessa-se-nos no caminho a teoria da corruptibilidade, a canonização do primordial e o romantismo do primeiro milênio. É habitual considerar que a transubstanciação (a transformação do pão e do vinho), a adoração do Senhor através do Sacramento, o Culto Eucarístico com custódia e procissão - tudo isso seriam equívocos medievais que devem ser abandonados de uma vez por todas."

E logo após, como é evidente, o Papa reafirma que a Santa Igreja sempre teve muita clareza a respeito da Presença Real e Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada:

"Já Paulo expõe peremptoriamente a transformação do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Cristo como um fato de ser O Ressuscitado, Ele próprio, que está aqui, oferecendo-se-nos para comer. A ênfase, com que em Jo 6 é realçada a Presença Real, quase não tem igual. Também os primeiros Padres da Igreja - referimo-nos a Justino, o Mártir, ou a Inácio de Antioquia - não tem a mínima dúvida acerca do Mistério desta Presença, que nos é oferecida na transformação dos dons na Oração Eucarística. Até um teólogo tão virado para o espiritual como Agostinho, nunca manifestou nenhuma dúvida."

E se a Adoração Eucarística fora da Missa é uma prática que se desenvolveu mais no segundo milênio, é importante lembrar que a ciência litúrgica, assim como outras ciências, também evoluem. É claro que NÃO em um sentido de ruptura de doutrina (pois o Sagrada Magistério da Igreja é infalível em matéria de fé e moral; ver Catecismo da Igreja Católica, n. 2035), mas em um sentido de uma consciência cada vez mais clara que a Santa Igreja, conduzida pelo Espírito Santo, adquire a respeito dela mesma.

Foram exatamente em oposição as heresias surgidas, negando a Presença Real e Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, que se desenvolveu com mais força o costume da adoração prolongada ao Santíssimo Sacramento e as maravilhosas procissões eucarísticas, quando os católicos saem as ruas para proclamar a sua fé eucarística: É DEUS!

Sobre este assunto, o Pe. Paulo Ricardo, da Arquidiocese de Cuiabá-MT e muito atuante nos meios de comunicação católicos, afirmou em sua entrevista concedida ao blog Salvem a Liturgia:

"Nos tempos que correm, nós não podemos nos dar ao luxo de arqueologismos litúrgicos."

E referindo-se o Pe. Paulo ao primeiro milênio da Igreja:

"... não tinha herege que não acreditava na Presença Real de Jesus na Eucaristia. Nós estamos em um tempo diferente, e a Igreja evolui também na sua forma de demonstrar devoção a Cristo. Foi de mil anos para cá que começaram aquelas heresias que negaram a Presença de Cristo na Eucaristia que culminaram com a reforma protestante, que a negou de vez, e agora estamos nessa situação. O Papa está nos dando exemplo de devoção eucarística, de verdadeira união a tradição da Igreja, mas uma tradição que sabe evoluir ao longo dos tempos; a Igreja sabe, como mãe e mestra, colocar o remédio certo na hora certa. E em um tempo em que, infelizmente, acontecem abusos e padres que perdem a fé na Presença de Jesus na Eucaristia, a Igreja como mãe e mestra quer renovar essa fé."

Que possamos rezar, junto com Tomás de Kempis, no seu maravilhoso livro chamado "Imitação de Cristo" (parte 4, cap, 1, n. 4-9), que é chamado por muitos, analogicamente, de "segunda Bíblia", dada a sua profundidade espiritual:

"Há grandíssima diferença entre a Arca da Aliança com suas relíquias e o Vosso Puríssimo Corpo com suas inefáveis virtudes; entre aqueles sacrifícios da lei, que eram apenas figuras do futuro, e o sacrifício verdadeiro do Vosso Corpo, que é o cumprimento de todos os sacrifícios antigos. Por que, pois, se me não acende melhor o meu coração na Vossa adorável Presença? Por que me não preparo com maior cuidado para receber Vosso Santo Mistério, quando aqueles santos patriarcas e profetas, reis e príncipes, com todo o povo, mostravam tanta devoção e fervor no Culto Divino?"

E continua:

"Se tanta era, então, a devoção e o fervor divino diante da Arca do Testamento, quanta reverência e devoção devo eu ter agora, e todo o povo cristão, na presença do Sacramento e na recepção do Preciosíssimo Corpo de Cristo? Correm muitos a diversos lugares para visitar as relíquias dos santos, e se admiram ouvindo narrar os seus feitos; contemplam os vastos edifícios dos templos e beijam os sagrados ossos, guardados em seda e ouro. E eis que aqui estais presente diante de mim, no altar, Vós, meu Deus, Santo dos santos, Criador dos homens e Senhor dos anjos."

5. Consagração: joelhos dobrados!

Na Consagração os fiéis devem estar de joelhos, em sinal de adoração.

Quanto a isso a lei da Santa Igreja é clara em afirmar na Instrução Geral no Missal Romano (n. 43), que determina que os fiéis estejam "de joelhos durante a consagração, exceto se razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, que não estão de joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o sacerdote genuflecte após a consagração."

Mais ainda, a mesma Instrução Geral (n.43) afirma:

"Onde for costume o povo permanecer de joelhos do fim da aclamação do Santo até ao final da Oração eucarística e antes da Comunhão quando o sacerdote diz Eis o Cordeiro de Deus, é louvável que ele seja mantido."

Começo relatando dois absurdos que já vi:

1. Um curso de formação (?) litúrgica, onde se ensinou que na Consagração os fiéis não devem estar de joelhos, mas de pé, em sinal de prontidão (!!!) Ora, isso atenta diretamente contra o espírito da Liturgia e as próprias determinações expressas do Missal, como vimos acima.

2. Uma livraria católica (?) onde estava sendo vendido um livro que dizia algo como: se ajoelhar é sinal de humilhação, e não devemos nos humilhar diante de nada nem de ninguém (!!!).

E partindo-se do princípio da nossa fé católica Presença Real e Sacramental de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia Consagrada, e do seu Santo Sacrifício que é renovado na Santa Missa (ver Catecismo da Igreja Católica, n. 1362-1372; 1374-1377; 1411), percebemos que esta questão é gravíssima!

Para compreendermos melhor a gravidade de tudo isso, passemos a palavra ao Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, no seu maravilhoso livro "Introdução ao Espírito da Liturgia":

"É possível que a posição de joelhos se tenha tornado estranha à cultura moderna - na medida que esta última se tenha afastado da Fé, não reconhecendo mais Aquele perante o qual o gesto correte é intrínseco é - estar de joelhos. Quem aprende a ter fé, também aprende a ajoelhar-se; uma Fé ou uma Liturgia que desconhecesse a genuflexão seria afetada num ponto central. Onda ela se perdeu, tem que ser reaprendida, para que a nossa oração permaneça na Comunidade dos Apóstolos, dos Mártires, de todo o Cosmos e em união com o próprio Jesus Cristo."

Com efeito, o Papa friza que aqui NÃO estamos falando de um elemento acessório da Sagrada Liturgia, mas a um elemento CENTRAL, pois diz respeito a ADORAÇÃO A DEUS!

Com efeito, vemos hoje, também no campo litúrgico, um movimento revolucionário igualitarista, que odeia toda a forma de superioridade, e por isso todo o tipo de hierarquia, e que em última instância quer livrar-se de Deus, ou em sua forma atenuada, da idéia de manifestar a adoração devida a Ele.

E o Papa escreve também, entrando concretamente neste problema:

"Há círculos com bastante influência que tentam dissuadir-nos de nos ajoelhar. A argumentação é a de esse ato não condizer com a nossa cultura (aliás, com qual?) de não ser adequado para uma pessoa reta e emancipada que encara Deus, ou então não ser apropriado para uma pessoa livre, não necessitando, consequentemente, de ajoelhar-se."

Continua o Papa, mostrando a origem cristã do ato de dobrar os joelhos para adorar:

"Com efeito, a posição de joelhos dos Cristão não é nenhuma forma de inculturação de costumes existentes, mas sim a expressão da cultura cristã, capaz de transformar uma cultura existente devido a uma nova e mais profunda compreensão da experiência de Deus. A origem da genuflexão não se encontra numa cultura qualquer - ela é proveniente da Bíblia e do seu conhecimento de Deus. Na Bíblia, o significado central da posição de joelhos põe observar-se pelo fato da palavra Proskynein surgir 59 vezes só no Novo Testamento, das quais 24 vezes no Apocalipse - o livro da Liturgia Celeste, que é apresentada à Igreja como padrão da Liturgia."

Com efeito, diz o Salmo 94: "Vinde, inclinemo-nos em adoração, de joelhos diante do Senhor que nos criou." (v.6) Na Sagrada Liturgia, esse gesto passou a simbolizar a adoração a Nosso Senhor, presente no Santíssimo Sacramento, como o próprio São Paulo escreve: "Ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, no céu, na terra e nos infernos." (Fl 2,10)

Nessas tristes situações que citamos, vejo algo como se fosse uma "joelhofobia", como escrevemos em um artigo; e isto está em desacordo com o espírito da liturgia e em desobediência explícita à lei da Santa Igreja. Escuto para isso argumentações como: "Deve-se estar não de joelhos,mas em pé como sinal de prontidão"; ou "A Eucaristia é banquete e ninguém come ajoelhado"; ou ainda "A Eucaristia é para ser comida, não para ser adorada".Ora, todas estas argumentações estão equivocadas, como contra-argumentados acima!

Se eu estou ajoelhado, estou recordando a mim mesmo e a quem me vê que NÃO estou diante de algo qualquer, mas DIANTE DE DEUS. E isso me incentiva a Adorá-lo!

É interessante perceber que os modernistas podem militar pela abolição de outros elementos litúrgicos também para propagar suas idéias litúrgicas revolucionárias, como por exemplo:

- Abolir o ato da genuflexão, no sentido de dobrar um dos joelhos, quando se entra ou sai de um local sagrado em que haja Sacrário, e dizendo: "Basta uma inclinação". Não basta! Além de isso atentar contra o próprio espírito da Liturgia Católica, como mostramos acima, atenta expressamente contra as normas litúrgicas, que dizem. Diz a Instrução Geral do Missa Romano (n.274):

"A genuflexão, que se faz dobrando o joelho direito até o chão, significa adoração; por isso, se reserva ao Santíssimo Sacramento, e à santa Cruz, desde a solene adoração na Ação litúrgica da Sexta-feira na Paixão do Senhor até o início da Vigília pascal. (...) Também fazem genuflexão todos os que passam diante do Santíssimo Sacramento, a não ser que caminhem processionalmente."

A inclinação se faz é para o altar, como afirma a mesma Instrução no n. 275. Para o Santíssimo Sacramento, se faz genuflexão, como demonstramos acima.

- Abolir o uso de genuflexórios dentro das igrejas, capelas e oratórios; o genuflxório, além de por si só já ser um incentivo a dobrarmos nossos joelhos, é algo que surgiu exatamente para servir, nesse sentido, a autêntica Lituria Católica .

- Abolir o uso da campainha durante a Elevação do Santíssimo Corpo e do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor durante a Consagração, dizendo que "o uso da campanhia é algo ultrapassado". Ora, não é! Além de isso atentar também contra o espírito da Liturgia Católica, o próprio Missal menciona a campanhia:

"Um pouco antes da consagração, o ministro, se for oportuno, adverte os fiéis com um sinal da campainha. Faz o mesmo em cada elevação, conforme o costume da região." (Instrução Geral do Missal Romano, n.150)

Se ao contrário de antigamente, hoje a Oração Eucarística é feita em voz alta e com o uso do microfone, e já não há a necessidade que originou o uso da campanhia (que era indicar o momento da Consagração), precisamos sair de uma perspectiva racionalista e compreender que os elementos que compõe a Sagrada Liturgia NÃO são algo meramente funcional, e que neste sentido, a campanhia tornou-se um ato de enaltecimento à Presença Real e Substancial de Nosso Senhor, exatamente no momento em que acontece a transubstanciação: "Dominus Est! É o Senhor!" (Jo 21,7)

Diante de tudo isso, em nossa luta pela defesa da Fé Eucarística da Santa Igreja e da restauração da Sagrada Liturgia, creio que estamos diante de um ponto chave, central, que no nosso apostolado precisamos nos esforçar o máximo para nunca ceder.

Talvez em alguma paróquia ou grupo que participamos em que a crise litúrgica esteja muito grande, podemos optar em "tolerar" este grave abuso (e "tolerar" NÃO significa "aprovar", mas fazer "vistas grossas" em prol de um bem maior...), mas exatamente com o objetivo de não perder campo de apostolado, para assim que for possível, podermos auxiliar a consertar estes e outros abusos.

6. Conclusão

Nas aparições da Santíssima Virgem em Fátima (Portugal, 1917), oficialmente reconhecidas pela Santa Igreja, quando o Anjo apareceu para as crianças, antes da Virgem aparecer, ele trazia consigo uma Hóstia Consagrada. Prostrando-se por terra, ensinou a elas a seguinte oração:

"Meu Deus: eu creio, adoro, espero-vos e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam."

Que pela intercessão da Santíssima Virgem e dos santos anjos que rodeiam os altares de Deus, nós possamos crer por aqueles que não crêem, adorar por aqueles que não adoram, esperar por aqueles que não esperam em Deus e amar por aqueles que não amam o Deus-Amor Sacramentado...

"Ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, no céu, na terra e nos infernos." (Fl 2,10)