
Psicologia da féA edição de 12 de julho da revista IstoÉ trouxe como matéria de capa, reportagem com o título “Irmãos”. Tal matéria destaca a importância dos irmãos na vida das crianças.
Apesar de alguns (poucos) trechos deslizarem no ‘politicamente correto’ a reportagem é, em geral, muito boa, enfatizando o valor de ter (muitos) irmãos e, conseqüentemente, valorizando a instituição da família.
Sobre a família a reportagem inicia dizendo que é “o mais forte pilar da existência humana”.
A respeito dos irmãos, relata:
“São os irmãos que servem de espelho, são os modelos que pretendemos imitar ou rejeitar. São eles que despertam nossos primeiros sentimentos. Com eles dividimos as primeiras emoções e descobertas. Eles são nossos primeiros rivais, na disputa pelo afeto e a atenção dos pais ou simplesmente na disputa de um brinquedo. Eles são nossos primeiros amigos, os primeiros a nos proteger e a ensinar os atalhos da vida”.
O primogênito, o caçula e os do meio.
Ao mencionar o estudo de um pesquisador americano a reportagem destaca – talvez involuntariamente – algo que, nos dias atuais, se tornou incomum: famílias numerosas. O pesquisador afirma que “a ordem de nascimento dos irmãos pode modificar a personalidade. O primogênito seria mais conservador e obediente, ao contrário do caçula, mais paparicado e relaxado. O primeiro influencia muito a formação do menor. Os do meio, menos cobrados e alvos de atenção menor, acabam encontrando mais espaço para exercer a liberdade e se relacionar de forma mais leve e carinhosa com os irmãos.”
Ao se referir ao primogênito, ao caçula e aos do meio, fica implícita uma família de, pelo menos, 4 filhos.
Mais adiante a reportagem destaca 2 famílias numerosas, porém faz uma ressalva, dizendo que estes casos estão “absolutamente fora do atual contexto”. Uma destas famílias “tem oito irmãos biológicos” que tem como lema ‘drogas, tô fora’. A outra é a do jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho que tem oito irmãos.
A reportagem termina lamentando que na estrutura contemporânea “é comum famílias com um ou dois descendentes no máximo. (...). Uma pena, pois levantamentos americanos revelam que 40% de dirigentes de empresas são filhos do meio”.
João Mohana: “Quatro é ótimo”.
A valorização das famílias numerosas sempre foi marcante na Igreja Católica. O saudoso sacerdote e médico João Mohana (1925-1995), em uma de suas várias obras que tratam, com maestria, do relacionamento humano dá como ideal o número de quatro filhos. No livro “Prepare seus filhos para o futuro” (Edições Loyola), escrito na década de 1970, João Mohana ensina:
“Só o número quatro desmonta os esquemas sabotadores. Não que quatro filhos tragam fatalmente o paraíso para dentro do lar. Não se trata disso. Trata-se de que quatro filhos se socializam mais facilmente, pois todas as situações-problemas se diluem. Não há sanduíche. O primogênito é contrabalançado pelos dois do meio. O caçula também. Isto quer dizer que se os pais forem bons educadores, os resultados aparecem mais facilmente. Mesmo porque muita coisa a comunidade resolve, já que é uma comunidade sem situações problematizantes. O que não acontece com a comunidade de três. (Exceções são exceções)”.
“O casal que decide pelo número quatro estabeleceu, pois, o esquema familiar privilegiado para cultivar o impulso de sociabilidade. Nessa família os filhos não terão oportunidade de soltar o desabafo daquele filho único: ‘Lá em casa não acontece nada de interessante’”.
Há alguma referência no Magistério da Igreja sobre as famílias numerosas?
Conforme o Catecismo da Igreja Católica, n.2373:
“A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”.
Em audiência de 2 de novembro de 2005, dirigindo-se a “Associação Nacional das Famílias Numerosas” da Itália o Papa Bento XVI disse:
“A vossa agradável presença oferece-me a oportunidade de recordar a centralidade da família, célula constituinte da sociedade e lugar primário de acolhimento e de serviço à vida. No hodierno contexto social, os núcleos familiares com muitos filhos constituem um testemunho de fé, de coragem e de otimismo, porque sem filhos não há futuro! Faço votos por que sejam ulteriormente promovidas iniciativas sociais e legislativas para a tutela e o apoio às famílias mais numerosas, que constituem uma riqueza e uma esperança para todo o País”.