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Psicologia da fé

O filme Tropa de Elite

Tropa de Elite já e o filme mais visto e mais comentado da história do cinema brasileiro, porque, embora seja uma obra de ficção, retrata como o crime cresceu no Brasil e se tornou uma das maiores preocupações do povo.

Diz a reportagem da Revista Veja (Edição 2030 de 17 out 2007) sobre o filme que “estima-se que mais de 11 milhões de pessoas tenham assistido ao filme em DVDs piratas”.

Uma pesquisa encomendada pela Revista Veja ao Instituto Vox Populi, mostrou que o filme agradou a 94% dos que o assistiram e 85% dizem que a culpa da existência dos traficantes é dos usuários de drogas; 79% acham que o filme mostra como a polícia é; 72% consideram que no filme os traficantes são tratados como merecem; 51% acham que a tortura não é um meio aceitável para obter a confissão de um bandido; 53% julgam que o Cap. Nascimento é um herói.

Em 1980 o país registrava 12 homicídios por 100 mil habitantes, em 2005 esse número passou para 26; e o povo não agüenta mais isso. Dai o sucesso do filme.

A análise do filme, especialmente por causa do seu sucesso de bilheteria, certamente será feita por especialistas em sociologia, psicologia e outras ciências sociais, mas já é assunto do povo no cotidiano.

O filme mostra cruamente a situação do crime no país, embora de maneira fictícia e deixa ver a real e difícil situação em que estamos. O enredo do filme retrata a guerra sem tréguas que a polícia do Rio de Janeiro trava com os traficantes de drogas nas favelas.

O povo está saturado e cansado com o crime; então, está vendo na obra um certo alento para enfrentar o problema. O filme mostra bandidos como bandidos, e não "vítimas da questão social" e assim tratados com todo a dureza. É uma critica severa à má interpretação que às vezes se dá à questão dos direitos humanos.

Filme Tropa de Elite O direito de cada cidadão exige que ele seja tratado com dignidade e respeito, mas pode e deve sofrer a ação da justiça se não se comportar devidamente dentro da sociedade. É claro que não se pode prender e muito menos matar alguém sem motivo e necessidade, mas a justiça permite que a legítima defesa dos inocentes justifique a ação da força. É possível fazer justiça sem arbitrariedade, sem fazer uso da tortura e da violência gratuita. A força é legítima somente quando é colocada a serviço da justiça.

Sem dúvida há policiais corruptos, mas também há muitos que são honestos. E se muitas vezes eles agem com certa brutalidade pode ser por causa da má situação em que vivem, financeiramente, falta de preparo profissional para lidar com o crime; falta de equipamentos adequados e até mesmo falta de uma Justiça melhor preparada para coibir o crime.

O filme procura mostrar que se existem traficantes de drogas é porque há milhares de consumidores que a compram. Mas por que os consumidores alimentam essa cadeia? Por que são viciado. E por que são viciados?

Ai está o grande problema a ser atacado. É porque muitas vezes trazem o vazio na alma; a deseducação desde o berço, a destruição familiar que os fez crescer sem saber o que é o calor do pai... Quantos e quantos jovens no Brasil hoje foram criados somente pela mãe; como verdadeiros “filhos órfãos de pais vivos”. É não é difícil um jovem deste que não foi educado para o trabalho, mergulhar no mundo das drogas e do crime.

De fato não se pode justificar a "questão social" para diminuir o combate ao crime e a violência, especialmente quando praticados por quadrilhas especializadas, compostas por integrantes que nada têm de coitadinhos. É fundamental uma Polícia atuante, preparada, presente, e que dê combate ao crime diuturnamente; mas não basta isso; o problema exige uma mudança na sociedade como um todo. Que mudança é esta? Que todos, governo e sociedade se unam para acabar com as causas endêmicas que geram o crime: corrupção, narco-tráfico, falta de educação às crianças e jovens; falta de emprego, recuperação da família, falta de formação moral e religiosa. Será necessário criar muitos e muitos Projetos de atendimento e recuperação de crianças e jovens abandonados e carentes para que não se tornem marginais.

Sobretudo a formação moral precisa ser enfrentada. Sem Deus no coração o homem se torna bruto, sem um sentido na vida e sem objetivos; acaba desvalorizando a sua vida e, como conseqüência a dos outros também. A religião nos ensina a amar a Deus e aos outros, não matar , não roubar, não estuprar, não seqüestrar, não se drogar... Não é disto que precisamos?

Há um risco de que a sociedade se encante com o filme “Tropa de Elite” e passe a julgar que basta uma Polícia agressiva para enfrentar o crime; é preciso muito mais.

Autor: Prof. Felipe Aquino
Publicação original: 30 de Outubro de 2007
Extraído de www.cleofas.com.br
Saiba mais: Catecismo da Igreja Católica, 2263-2267